maio 24, 2003

The Lurker Update (ou 15 segundos de fama)

Um rápido update do caso da reportagem na Esplanada dos Ministérios: a tal filmagem passou, efetivamente, no jornal local. Descobri isso no outro dia, quando vieram me perguntar se eu havia me cansado e se a perna doía...

- Ué? Por que?
- Ora, andando sob o Sol até o congresso...


E, segundo me disseram, agora somos "funcionários do Congresso Nacional que tiveram que estacionar longe por causa da confusão". Eu disse que repórter não acerta uma... formadores de opinião... Era preciso que eles tivessem uma primeiro...

The Lurker says: "The things most people want to know about are usually none of their business" George Bernard Shaw

maio 20, 2003

The Lurker vai ao Congresso Nacional (ou plus ça change, plus c´est la memme chose)

Hoje foi o dia do lançamento, pela UNESCO no Brasil, da Década para a Alfabetização: um acontecimento cheio de pompa, circunstância e cabeças coroadas da educação nacional, que se realizou no Salão Negro do Congresso Nacional. Lá estavam desde figuras “mitológicas” como a “policrômica” Esther Gross, passando por Martha Suplicy (escoltada por seu antigo consorte), até Viviane Senna e Cristóvam Buarque.

O interessante dessas coisas, para nós reles mortais, sempre é o que acontece enquanto as autoridades estão entretidas em seus pronunciamentos. Senão vejamos:

No caminho para o Congresso, na Esplanada dos Ministérios havia uma manifestação de perueiros de Goiânia, que protestavam contra a ameaça de que o serviço prestado por eles fosse desativado, parando o trânsito e bloquando o acesso de qualquer coisa maior que uma motoneta. Resultado: gente desviando pelo gramado, pela calçada, pela contramão (cadê a polícia?), gente saindo dos carros para brigar com os perueiros (CADÊ a polícia?), enfim, uma brafunda geral.

Depois de dez minutos no táxi imobilizado (sim, porque a muito tempo não se encontra estacionamento na Esplanada) decidimos desembarcar e andar o kilômetro que nos separava do Congresso. E vamos nós, os três patetas, andando e observando o caos urbano instalado no “centro das decisões nacionais” quando, no sentido oposto, observamos um cavalheiro armado de filmadora, com o símbolo inconfundível da vênus platinada. Epa... lá vem coisa... Junto ao sujeito, uma sujeita armada com um microfone... Opa... opa... eu não gosto disso... nunca disse nada a um repórter que fosse repetido direito...

- Vocês vem andando desde onde? – Pergunta com aquele jeito meio sádico de repórter que vê o circo pegar fogo.
- Desde o Ministério do Trabalho, tem uns 10 minutos – Respondemos, sorrindo como se nada estivesse acontecendo.
A pobre não pareceu muito interessada em nos entrevistar depois disso.

Passamos a seguir por um acampamento dos tais perueiros goianos, mas o motivo do protesto ainda não era totalmente claro. Afinal, descobrimos onde estava a "mundiça": sob a sombra de duas árvores deveria haver uns dez policiais, enquanto dois pobres coitados apitavam feito loucos à frente de um semáforo, como se suas armas sônicas fossem mover as vans um milímetro que fosse. Mais adiante, um grupo de oficiais da PM observava como se não fosse com eles...

Chegamos finalmente ao Congresso, entramos pela rampa superior, explicando ao Policial Federal que tínhamos o direito de entrar por ali mesmo porque era nossa organização quem bancava a festa. Nada como o bom e velho terno e gravata: ninguém reclama de nada, ninguém pede identificação de nada.

A cerimônia começa com a constituição da mesa, que tem mais gente do que se possa achar razoável (seguramente uns 15 notáveis). Jamais entendi essa mania que temos no Brasil de encher a mesa de autoridades que tem e que não tem a ver com o evento. E todo mundo tem que ter sua vez de discursar o tempo que achar necessário... os discursos se alongam, o público se cansa e a festa se esvazia. Mas para mim tudo bem: estou circulando mesmo, conhecendo quem não conhecia e discutindo projetos interessantes. Que me interessa o que o Governador do Alagoas tem a chorar, sobre sua população de 50% de analfabetos? Não são constatações panfletárias do momento que resolvem o problema. Não é a indignação demagógica que alfabetiza e não é nos salões que as coisas se ajeitam. O que resolverá o problema será a continuidade e apersistência das ações de governo. Então, deixa a verborragia correr e vamos cuidar daquilo que os técnicos fazem (Groo faz o que Groo faz melhor).

O tempo passa e a mente flutua... é interessante observar, contudo, que o nouveau régime parece ter herdado um tanto da hipocrisia do antigo, ao usar um grupo de alunos recém-alfabetizados da Câmara como exemplo de implantação de programas deste tipo e de espírito cívico e empreendedor. Explico: em princípio os programas de alfabetização levam cerca de seis meses. A atual administração ainda não completou 180 dias e, com certeza, não foi no recesso parlamentar que este pessoal estudou.

Entretanto, la nouvelle vague tem outros méritos: atravessando o salão, ao largo da cerimônia, com cara de quem não sabe exatamente o que acontece, mas conhece na pele os problemas que se discutem na mesa de honra, entra um grupo de representantes do MST. E é, para mim, o highlight do evento: passam ao lado dos convidados e em filas, ordeiramente, os mais velhos tiram seus chapéus, os mais jovens olham com curiosidade. Demonstram muito mais respeito a uma cerimônia cujos objetivos ignoram do que muitos dos doutores presentes que conversam no salão apinhado enquanto os diversos discursos se sucedem.

Comento com uma amiga que esta talvez seja a diferença entre aquilo que era e aquilo que é. Desde a Esplanada até o Salão as pessoas mais humildes, que a vinte anos nem pensariam em fazer o que fazem agora estão tomando o espaço que, conquanto não saibam, lhes pertence por direito. Se o grande legado de FHC foi a estabilidade das instituições, a contribuição da nova gestão parece estar sendo permitir que mais alguém, além do seleto grupo de iluminados de sempre, participe destas mesmas instituições.

PS: Lembra quando eu disse que queria mais três semanas iguais às de 05 de maio? Sabe aquele negócio de cuidado com o que deseja porque você pode conseguir? Nada mais verdadeiro...Alguém poderia tirar o pé do acelerador, por gentileza?

The Lurker Says: “I recommend biting off more than you can chew to anyone” (Allanis Morissete – You Learn)

maio 15, 2003

The Lurker Radio (ou o retorno à vida de "solteiro")

Heartbreak Hotel
Words and music by Mae B. Axton, Tommy Durden, and Elvis Presley

Well, since my baby left me,
I found a new place to dwell.
It's down at the end of lonely street
at Heartbreak Hotel.

You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.

And although it's always crowded,
you still can find some room.
Where broken hearted lovers
do cry away their gloom.

You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.

Well, the Bell hop's tears keep flowin',
and the desk clerk's dressed in black.
Well they been so long on lonely street
They ain't ever gonna look back.

You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.

Hey now, if your baby leaves you,
and you got a tale to tell.
Just take a walk down lonely street
to Heartbreak Hotel.


The Lurker Says: "These days people seek knowledge, not wisdom. Knowledge is of the past, wisdom is of the future." (Vernon Cooper)

maio 13, 2003

The Lurker Radio (ou "There are two tragedies in life: one is not to get your heart's desire. The other is to get it.")

Circle of Life
Music by Elton John, lyrics by Tim Rice
Performed by Elton John

From the day we arrive on the planet
And blinking, step into the sun
There's more to be seen than can ever be seen
More to do than can ever be done

Some say eat or be eaten
Some say live and let live
But all are agreed as they join the stampede
You should never take more than you give

(Chorus)
In the Circle of Life
It's the wheel of fortune
It's the leap of faith
It's the band of hope
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life

Some of us fall by the wayside
And some of us soar to the stars
And some of us sail through our troubles
And some have to live with the scars

There's far too much to take in here
More to find than can ever be found
But the sun rolling high
Through the sapphire sky
Keeps the great and small on the endless round

(Chorus repeats)

On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life.

The Lurker Says: "The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him... The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself... All progress depends on the unreasonable man." (George Bernard Shaw)

maio 12, 2003

The Lurker swimming among the sharks (ou where my heart took me last week)

Last week's extra mile foi mais longa do que imaginei originalmente. E foi das melhores, senão a melhor até hoje! Mais umas três dessas e, havendo sobrevida, será fabuloso! :-)

Foram quatro apresentações diferentes (no Ministério dos Esportes, CNI/SESI e duas na UnB, sendo uma no doutorado) em quatro dias seguidos. Dois dias de seminário montado por minha equipe em uma reunião que acabou sendo absorvida por outra maior, com gente "grande" em uma organização maior ainda, falando de números de pessoas e valores financeiros cheios de zeros. A responsabilidade de interferir nestes processos dá frio no estômago, principalmente em projetos com quatro anos de duração (as decisões de hoje farão diferença em dois anos... para o bem e para o mal).

Dias de pouco sono, muita ansiedade, alguma angústia e pouca comida. Gente competente do seu lado, gente esforçada na interlocução do outro lado. Vontade de avançar, iniciativa, garra e coragem. Cinco dias de dor de cabeça, preocupação, gratificação de meses de ralação e anos enfiado nos livros. Estratégia, responsabilidade, confiança, técnica e jogo de cintura.

Rigorosamente todos os objetivos foram atingidos nas três esferas de trabalho. E com direito a benefícios colaterais, colocando pilha em um amigo que precisa de mais reconhecimento de seus chefes e ainda arranjando emprego para um outro que teve que abandonar o doutorado no exterior por motivos familiares. Boas notícias vieram também de outros estados, onde uma pessoa que tem batalhado e merece reconhecimento está também recebendo seu quinhão.

Em resumo: A semana no inferno concluiu-se com um mergulho no paraíso e na agradável sensação de dever cumprido, apesar da impressão que um trator me passou por cima do occiptal. As próximas duas semanas ainda beberão muito desta fonte.
Hmm.... o que será que vem depois dessa colina?

Detalhes peculiares:

Na reunião com o Secretário Nacional de Esporte Educacional descobri que os líderes estudantis de 10 ou 15 anos atrás estão chegando ao poder... e que ainda citam Max Weber ao se rebelarem contra a burocracia do estado. Veremos o que fazem agora que estão com as ferramentas do próprio Estado na mão.

Na reunião com o Diretor de Avaliação da Educação Básica descobri que os novos tecnocratas têm sede de mudanças, querem que elas aconteçam rápido e que querem rever ao microscópio o que foi feito na gestão anterior.

Com o Secretário Nacional de Educação Infantil descobri que existe uma visão de integração no governo, buscado evitar duplicidade de esforços e melhor aprovietamento de recursos.

Andando com meu diretor aprendi mais um pouco de como se jogam as peças do tabuleiro da negociação com o executivo e seus assemelhados. E que a maioria das pessoas envolvidas é honesta e possui interesse público (e não no público...).

The Lurker Says: "He Inoa No Kalani Kalakaua — kulele!"

maio 05, 2003

The Lurker and the leap forward (ou Here we go again... and it was about time!)

Existem momentos na vida em que se percebe que alguma coisa importante está para acontecer... normalmente esta sensação surge como consequência de um forte investimento pessoal que foi realizado em alguma coisa. Nada mais natural que tais "momentos de salto" nos peguem na contramão das energias, depois de um longo período de esforço. Pense no maratonista que precisa dar seu último "sprint" para cruzar a linha de chegada... Somos apresentados ao dilema de correr "the extra mile", e fazer ainda mais do que necessário...

Poucas pessoas sabem o que o ano que passou foi para mim. E das consequências e marcas que ainda pesam e que vão pesar por outros anos ainda - certos laços não se desfazem facilmente e certas coisas não são ouvidas levianamente.

Esta semana volto a correr mais uma "extra mile". E gostaria de oferecer a vocês a música que vai me acompanhar...


Where My Heart Will Take Me
Enterprise Main Title
Lyrics by Diane Warren
Vocal by Russell Watson

It´s been a long road, getting from there to here.
It´s been a long time, but my time is finally near.
And I can feel the change in the wind right now. Nothing´s in my way.
And they´re not gonna hold me down no more, no they´re not gonna hold me down.

Cause I´ve got faith of the heart.
I´m going where my heart will take me.
I´ve got faith to believe. I can do anything.
I´ve got strength of the soul. And no one´s gonna bend or break me.
I can reach any star. I´ve got faith, I´ve got faith, faith of the heart.


It´s been a long night. Trying to find my way.
Been through the darkness. Now I finally have my day.
And I will see my dream come alive at last. I will touch the sky.
And they´re not gonna hold me down no more, no they´re not gonna change my mind.

Cause I´ve got faith of the heart.
I´m going where my heart will take me.
I´ve got faith to believe. I can do anything.
I´ve got strength of the soul. And no one´s gonna bend or break me.
I can reach any star. I´ve got faith, faith of the heart.

I´ve known the wind so cold, and seen the darkest days.
But now the winds I feel, are only winds of change.
I´ve been through the fire and I´ve been through the rain.
But I´ll be fine.

Cause I´ve got faith of the heart.
I´m going where my heart will take me.
I´ve got faith to believe. I can do anything.
I´ve got strength of the soul. And no one´s gonna bend or break me.
I can reach any star. I´ve got faith.

I´ve got faith of the heart.
I´m going where my heart will take me.
I´ve got strength of the soul. And no one´s gonna bend or break me.
I can reach any star. I´ve got faith, I´ve got faith, faith of the heart.

It´s been a long road.

The Lurker says: "The significant problems we face cannot be solved by the same level of thinking that created them." -- Albert Einstein

abril 19, 2003

The Lurker Radio (o que se ouve p´ra lá de Bagdá)

Big Yellow Taxi
Joni Mitchell
Disco: Ladies of the Canyon (04/1970)

They paved paradise
And put up a parking lot
With a pink hotel, a boutique
And a swinging hot spot

Don't it always seem to go
That you don't know what you've got
Till it's gone
They paved paradise
And put up a parking lot

They took all the trees
Put 'em in a tree museum
And they charged the people
A dollar and a half just to see 'em

Don't it always seem to go
That you don't know what you've got
Till it's gone
They paved paradise
And put up a parking lot

Hey farmer farmer
Put away that DDT now
Give me spots on my apples
But leave me the birds and the bees
Please!

Don't it always seem to go
That you don't know what you've got
Till it's gone
They paved paradise
And put up a parking lot

Late last night
I heard the screen door slam
And a big yellow taxi
Took away my old man

Don't it always seem to go
That you don't know what you've got
Till it's gone
They paved paradise
And put up a parking lot

They paved paradise
And put up a parking lot

The Lurker Says: "You don't know what you've got till it's gone"

abril 17, 2003

The Lurker and the happy life of middle management (ou vida de pedreiro)

Um velho pedreiro que construía casas estava pronto para se aposentar.

Ele informou o chefe do seu desejo de se aposentar e passar mais tempo com a sua família. Ele ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria se aposentar.

A empresa não seria muito afetada pela saída do pedreiro mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo e ele pediu ao pedreiro para trabalhar em mais um projeto como um favor. O pedreiro não gostou mas acabou concordando. Foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a idéia.

Assim ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneira negativa dele terminar a carreira.

Quando o pedreiro acabou, o chefe veio fazer a inspeção da casa construída. Depois deu a chave da casa ao pedreiro e disse:

"Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para você".

O pedreiro ficou muito surpreso. Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito tudo diferente....

Construímos nossa vida um dia de cada vez e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção. Depois, com surpresa, nós descobrimos que precisamos viver na casa que construímos. Se pudéssemos fazer de novo, faríamos diferente.

The lurker says: Vanitas, vanitatum et omnia vanitas.

abril 15, 2003

The Lurker Radio

Simple Minds - Don't You (Forget About Me)

Hey, hey, hey ,hey
Ohhh...

Won't you come see about me?
I'll be alone, dancing you know it baby

Tell me your troubles and doubts
Giving me everything inside and out and
Love's strange so real in the dark
Think of the tender things that we were working on

Slow change may pull us apart
When the light gets into your heart, baby

Don't You Forget About Me
Don't Don't Don't Don't
Don't You Forget About Me

Will you stand above me?
Look my way, never love me
Rain keeps falling, rain keeps falling
Down, down, down

Will you recognise me?
Call my name or walk on by
Rain keeps falling, rain keeps falling
Down, down, down, down

Hey, hey, hey, hey
Ohhhh.....

Don't you try to pretend
It's my feeling we'll win in the end
I won't harm you or touch your defenses
Vanity and security

Don't you forget about me
I'll be alone, dancing you know it baby
Going to take you apart
I'll put us back together at heart, baby

Don't You Forget About Me
Don't Don't Don't Don't
Don't You Forget About Me

As you walk on by
Will you call my name?
As you walk on by
Will you call my name?
When you walk away

Or will you walk away?
Will you walk on by?
Come on - call my name
Will you call my name?

I say : La la la...

The Lurker says: will you walk away?

abril 11, 2003

The Lurker e a questão do gênero (ou primum vivere, deinde philosophari)

E eis que ressurge o Adamastor, depois de três semanas desaparecido. Volta à casa e estranha o cheiro - o que terá se hospedado no buraco junto aos alicerces do edifício, enquanto ele estava de férias?

Ocorre que estas andanças parecem ter feito muito bem ao Adamastor: ele está _muito_ gordo. E o acúmulo adiposo nas regiões onde se encontra parece denunciar uma coisa diferente de um relax num SPA cheio de camundongos: ele não é ele... é ELA.

The Lurker says: Natura non facit saltus.

abril 10, 2003

The Lurker e a prespectiva econômica(ou Sic transit gloria mundi)

São divertidos certos problemas que os economistas nos apresentam de vez em quando. Freqüentemente seus postulados se iniciam com frases tais como “tomemos por absurdo” ou “em um mundo ideal” ou ainda a famosa máxima latina “coeteris paribus”, que indica que ação deste fenômeno nenhum outro interfere. Premissas e teses que começam assim já não tem lá muita chance de sobreviver em um mundo real, não acadêmico. Entretanto, como início de conversa, servem lá para alguma coisa.

A propósito das discussões acerca da bagunça que o Júnior anda fazendo nas terras da Babilônia, tomemos por absurdo que o mundo tenha realmente se tornado aquilo que os teóricos andaram trombeteando há alguns anos atrás. Esqueçamos que, conceitualmente, a mídia não trata a globalização com a definição e a objetividade necessária, sendo o pobre apresentado pelas suas conseqüências, terminando muitas vezes em sentenças normativas ou em afirmações genéricas do tipo “aldeia global”.

Então, tendo em vista o tratamento dispensado pelos “irmãos do norte” ao “resto da aldeia” você, um(a) pataxó globalizado(a), resolveu aderir à execração pública do Tio Sam. Logo você mudou seu refrigerante, seu sandwich, mandou uma dezena de e-mails desaforados, enfiou o tênis Ni*e no fundo do armário, jogou ovos na estátua em frente ao shopping e, arfando em sua catarse contra o imperialismo, disse, como quem deu sua contribuição à sociedade, que estava fazendo a sua parte como cidadão engajado. Não me entenda mal, não estou defendendo postura nenhuma (ainda), apenas um outro nível de análise: você realmente cortou onde deveria? É suficiente mudar de carro, de tênis, de lanchonete para fazer a diferença? Para que isso impacte a “meca do consumo”?

Em um mundo ideal, talvez sim. Entretanto, na realidade não é só o seu sandwich que importa, nem mesmo quando somado aos de mais duzentas pessoas que você convenceu a fazer o mesmo. Isto não será perene. O que impacta realmente é, e sempre foi, a sua atitude e respeito, sobre a SUA própria cultura. O que faz mais diferença ainda é o quanto (e o que) se absorve do que vem de fora e isso acontece todo dia, nas pequenas coisas. De nada adianta chegar em casa e ligar sua tv a cabo para assistir Friends, minha cara, depois de ter ido a uma passeata pela paz. Pode não ser tão simples de ser percebido, mas o entranhamento dos valores externos aos nossos hábitos e junto aos “formadores de opinião”, incluindo-se aí os seus órgãos de divulgação, é muito grande. A pergunta é, então: o quanto você conhece do problema? E até onde está disposta(o) a ir para combatê-lo?

Se você eventualmente concluir que foi culturalmente absorvido(a) não se sinta de todo mal com isso, pois você está em muito boa companhia. Diversas das grandes sociedades modernas passaram por alguma forma de absorção em alguma fase de sua história: os franceses, anexados pelos romanos; os romanos (do oriente) pelos turcos; espanhóis pelos mouros; manchus pelos japoneses, etc, etc. A principal diferença entre o antes e o agora é a quantidade de informação disponível nestes tempos para que se reaja.

Em resumo, uma mudança de postura deste estilo dará muito mais trabalho do que atacar o consumo e tomará muito mais tempo e cuidados. Implicará resgatar o que foi deixado de lado porque o “do outro” era melhor. Vai demandar concessões que talvez você não queira fazer, e que você atente a coisas realmente importantes que estavam relegadas a segundo plano. Se você pensa que não é por aí, achou tudo isso muito disparatado, afirma que está perfeitamente sintonizado(a) com sua sociedade e seus ícones, vá em frente e faça um teste: cante agora o Hino Nacional inteiro - e não engasgue no “Deitado eternamente em berço explêndido”.

The Lurker says: QED - quod erat demonstrandum

abril 08, 2003

The Lurker and the happy life of middle management (ou... ou nada)

Essa é dedicada a uma pessoa a quem, por dever de ofício e teimosia superior, em breve serei obrigado a magoar dizendo coisas que não gostaria de dizer e fazendo coisas que não desejo.

It's Probably Me
Sting

If the night turned cold and the stars looked down
And you hug yourself on the cold cold ground
You wake the morning in a stranger's coat
No one would you see
You ask yourself, who'd watch for me
My only friend, who could it be
It's hard to say it
I hate to say it, but it's probably me
When your belly's empty and the hunger's so real
And you're too proud to beg and too dumb to steal
You search the city for your only friend
No one would you see
You ask yourself, who could it be
A solitary voice to speak out and set you free
I hate to say it
I hate to say it, but it's probably me
You're not the easiest person I ever got to know
And it's hard for us both to let our feelings show
Some would say I should let you go your way
You'll only make me cry
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
It's hard to say it
It's hard to say it, but it's probably me
When the world's gone crazy and it makes no sense
There's only one voice that comes to your defence
The jury's out and your eyes search the room
And one friendly face is all you need to see
If there's one guy, just one guy
Who'd lay down his life for you and die
It's hard to say it
I hate to say it, but it's probably me
I hate to say it
I hate to say it, but it's probably me

The Lurker says: Damn it.

março 17, 2003

The Lurker e Adamastor (ou Caveat Felix)

O centro de qualquer grande cidade ocidental não varia muito, independentemente do país em que você se encontre. Via de regra trata-se de um amontoado de edifícios, carros, gente apressada, vocês sabem. Existem, contudo, eventuais oásis de tranqüilidade, que surgem de tempos em tempos.

De meu escritório, no quarto andar de uma destas modernas torres de concreto e vidro, sou privilegiado com a vista de um gramado verde, bem cuidado, um destes oásis urbanos onde se pode relaxar. É lá que ele se deita pela manhã cedo. Na saída de sua casa, preguiçosamente observa o corre-corre geral e o eventual transeunte que nem sequer o percebe, oculto que permanece dos olhares apressados. Sua calma e placidez são as de quem, após uma noite de diversão, tem o dia inteiro para descansar seu físico bem proporcionado. Para ele tudo está bem: sabe que o mundo lhe pertence. Seus olhos verdes observam com desdém o executivo afobado, como quem imagina o que poderia ser tão importante para fazer com que alguém perca seu café da manhã.

Pelas nove horas ele sobe para um ponto mais elevado, onde o sol que atravessa os edifícios, vindo do Lago, pode aquecê-lo melhor, passeando com seus raios sobre o corpo esguio. Dali a pouco será hora de seu banho, e ele se lavará sem pressa, enquanto o mundo prossegue seu ritmo frenético em volta do jardim. Este é o amanhecer do Adamastor. Ele é um gato.

O animal mesmo. Porque? Pensou outra coisa? Felix Catus, gênero Domesticus, sim senhora. Possui uma pelagem amarela rajada de laranja e manchas brancas no peito, patas e atrás das orelhas. Refiro-me a ele utilizando o masculino porque não tenho lá muita certeza do gênero e, numa cultura machista como é a nossa, o masculino é o que se apresenta preferencialmente na formação das sentenças. Dizem que é freqüente que não se tenha certeza com gatos, ainda mais quatro andares acima do chão. Eu não sei. Entendo pouco de gatos.

Adamastor fez sua casa no jardim imediatamente abaixo da minha janela. Ele habita um espaço entre a grama e uma falha na estrutura do prédio à frente que permite que ele entre por baixo e se acomode no que eu imagino sejam os alicerces. Deve ser espaçoso por lá.

Adamastor passa o dia fazendo as coisas que os gatos fazem: quase nada. Pega seu sol até as quatro da tarde, quando começa a se preparar para a festa.

Em dias em que o trabalho pesa mais, o prazo encurta, a responsabilidade aperta, o micro trava, eu olho para o jardim e penso. Eu queria ser o Adamastor...

The Lurker says: A felicidade está nas pequenas coisas.

março 14, 2003

The Lurker em dia de cibernostalgia (ou "Excuse me, m´am. Did I leave my boots under your matress?")

Hoje me descobri analisando o quanto minha relação com a informática mudou nos últimos 15 anos. Sou, como se diz, da era do bit lascado. Meu primeiro computador que não se parecia com uma caixa de fósforos com teclado tinha um floppy de 120kb (algumas imagens pequenas hoje tem este tamanho) e cada disquete custava US$ 5,00. Então cortávamos um pedacinho do lado esquerdo para poder usar o verso do disquete. Afinal, só existiam discos importados e nem sempre era fácil conseguir um, em tempos de Sarney e reserva de mercado de informática. Hard Disk era uma coisa impensável e impagável. E mesmo que desse para comprar, ia ter uns 5Mb.

Lembro-me de meu assombro quando descobri na casa de um amigo que existiam computadores ligados na televisão e que geravam imagens coloridas (16 cores, veja bem). Corri para casa e arranjei um adaptador para liga o meu numa velha Philips à válvula.

Internet? Como? Naqueles tempos havia um programa pela Embratel chamado Cirandão (ou projeto Ciranda, seu antecessor). Basicamente era um sistema de chat e correio eletrônico muito primitivo, que funcionava com um fabuloso modem de 300bps (isso aí, senhores e senhoras que reclamam de seus 56000bps hoje em dia). – time passes –

Um pouco mais adiante, os poucos aventureiros que, como eu, se metiam neste mundo pela primeira vez eram confrontados com terminologias interessantes e pessoas misteriosas. O “importador” de quem comprei meu primeiro PC (um XT 8088) foi duas vezes à minha casa para ter certeza que não era “cilada”. Lembro-me de ter perguntado se o computador viesse sem relógio (clock) não saia mais barato. O cara não ouviu a pergunta porque Deus protege os inocentes e os ignorantes.

Um pouco mais adiante usavam-se os serviços de BBS, através de linhas discadas leeentas, voando agora a 9600bps. Haviam as sérias e as piratas. As gratuitas, as restritas e as pagas (a Mandic começou assim). Os tipos exóticos que se encontrava nas vias da informação eram cada vez mais interessantes. A linguagem era hermética e facilmente se reconhecia quem era do meio e quem estava de firula. Ainda hoje é fácil identificar o pessoal desses tempos perguntando quem sabia o que era uma Black Box. Era o reino do Blue Wave, do ASCII. – time still passes –

Mudaram os processadores aumentaram as velocidades. Entrou a série 386 (eu pulei a 286, que esse negócio estava caro). A complexidade das conversas e dos tipos crescia à medida que se conseguia maior e melhor performance. Com meu 486 veio o acesso aos sistemas da universidade e, como não poderia deixar de ser, à Bitnet (céus, como isso era arcaico). Mas ainda se conversava coisa séria, ciência, política, cultura, pesquisa. Tudo bem, eu não tinha lá muita compreensão disso na graduação, mas foi melhorando até conseguir minha primeira conta Internet. Uau! A coisa só funcionava emulando janelas UNIX (e ele não caía, como certas interfaces gráficas metidas a sistema operacional)... Mas os preços sim e a necessidade de uso da máquina cada vez mais crescia – even now time passes –

Mas o porque desta digressão ao mundo do passado cibernético recente, se comparado às eras geológicas, ou longínquo se considerado o tempo de vida de um pernilongo? Bem, basicamente o que se via então era um respeito muito maior pelo espaço cibernético, que era mais dedicado ao processo de troca de informações, arquivos e idéias entre pessoas. Me chame de besta, mas dava mais prazer mexer com essas coisas então. Agora essas facilidades todas permitem que um número enorme de bobagens fique circulando por aí...

Hoje, pela não-sei-qual-ésima vez, minha primeira atividade ao abrir meu e-mail foi matar o enorme número de mensagens não solicitadas que ultrapassaram não um mas dois softwares de bloqueio de SPAM. Saudades do tempo em que essa poluição não existia e em que, conquanto as interfaces gráficas não fossem tão bonitinhas, havia respeito pelo espaço dos outros. Admito que a quantidade de informações e a velocidade talvez não fosse tão grande, mas a quantidade de bobagens que eram jogadas ao vento eram a centésima parte do que se vê hoje. A democracia é uma coisa interessante: joga contra seu próprio patrimônio quando não vem acompanhada de respeito e educação.

The Lurker Says: A responsabilidade e a educação deveriam seguir, pelo menos em parte, o avanço da tecnologia.

fevereiro 25, 2003

The Lurker e o carnaval (ou para mergulhador velho, regulador novo)

Inicialmente cabem desculpas pela infreqüência das visitas do editor deste, em especial ao Monossílabo Si que se queixa da ausência de novidades: excusez mademoseille.

Este último período de trabalho tem sido extenuante. Recompensador, divertido e todas as coisas boas que o trabalho às vezes apresenta, mas extenuante mesmo assim. De qualquer sorte, o próprio nome já indica que este blog não pretende ter atualização freqüente e, de mais a mais, o papo por aqui andava muito sério. Chega de conversas e vamos ao que interessa.

Mergulhar: verbo transitivo direto referente à imersão de um corpo sólido em um líquido de menor densidade específica. Conjuga-se no presente do indicativo, primeira pessoa do singular: Eu mergulho. E o faço desde meus tenros 10 anos ou algo assim. Naturalmente é uma paixão estranha para um sujeito que nasceu e se criou no planalto central brasileiro, conhecido por sua seca subsaariana e mais ainda quando a praia mais próxima está a mais ou menos 1.200 Km de distância. Enfim, não há que se discutir sobre isso, mas sim que há duas semanas atrás concluí meu quarto curso de mergulho "básico".

Não, eu não sou retardado e não precisei fazer a mesma coisa quatro vezes para ver se pegava o jeito. Os dois primeiros cursos, realizados nas idades de 14 e 17 anos não habilitavam internacionalmente e o terceiro foi feito somente para acompanhar minha, então, noiva no processo e, por motivos que não cabem aqui, não foi concluído. Fez-se necessária nova habilitação, portanto.

Dentre os aspectos divertidos de fazer o básico pela 4ª vez está que a nomenclatura à qual fui acostumado e onde executei os primeiros estudos era um tanto diferente do que se pratica hoje. Por exemplo, nadadeira era “pé de pato”, máscara era “óculos de mergulho” e cilindro era “garrafa”. É preciso que se ressalte a mudança de materiais, formatos e particularidades das épocas também. Por exemplo, quando comecei, colete equilibrador (BC) era um negócio caríssimo, que ninguém tinha e que não vinha integrado ao “back pack” – uma espécie de cela de fibra de vidro para colocar o cilindro nas costas. Hoje em dia é equipamento de segurança obrigatório. Aliás, “na minha época”, cilindro era de aço e os de alumínio que se usam hoje eram mais novidade do que qualquer outra coisa (custavam uma fortuna). Hoje em dia é o contrário: tem-se que gramar um bocado para achar um de aço.

Nota técnica: Recentemente descobri que a Cobra Sub mantém ainda hoje grande parte dos equipamentos com características muito semelhantes às de 10 anos atrás (máscara era Super Puma e nadadeira Spinta – e dê-se por satisfeito). Em resumo, nem tudo evolui no mundo subaquático. :-)

De qualquer forma, o caso é que dia 28 às 13:30 embarca-se para Parati para uma série de, nada menos que, 11 mergulhos, todos embarcados, bonitinhos, com direito a ônibus semi-leito com filminho e outras coisas divertidas. A hospedagem deve ficar por conta da Pousada Porto Paraty (rebatizada como Porto Imperial mas eu preferia o nome antigo). Sinceramente, depois de duas semanas de estágio no inferno, botando a primeira fase da avaliação do programa para funcionar, tudo de que se precisa são quatro dias soltando borbulhas a 12 metros. Sim, porque isso deve dar mais ou menos 14 horas efetivas debaixo d´água e se não curar o início de stress, nada vai dar jeito.

Em breve terei a grata satisfação de relatar aos (3?) estimados leitores(as) as aventuras de The Lurker under the sea.

(este mergulho foi trazido até você num oferecimento da Divers University)

The Lurker says: "Thaaare she blows!" (hmmm.... era isso mesmo, capitão Ahab?)

fevereiro 12, 2003

The Lurker e a Discriminação (ou é fácil colocar o espinheiro em chamas)

Nunca, na história recente da república, alguém conseguiu tratar a questão racial no Brasil com tamanha dose de demagogia, irresponsabilidade, falta de planejamento e visão (que chegam mesmo a beirar a má-fé) como o ex-govenador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Este, no apagar das luzes do que ele denominava governo (e seres pensantes denominam catástrofe) estabeleceu por decreto uma política de quotas para as universidade estaduais do estado, sendo 50% para alunos “afrodescendentes” e oriundos de escolas públicas.

Entenda-se: não há qualquer tipo de equívoco em que se queira estabelecer políticas compensatórias para reduzir o abismo social no País. Também ninguém falará contra uma proposta que, de maneira responsável, procure mitigar as disparidades econômico-sociais existentes no Brasil. Mas o que foi proposto, além de irresponsável, pode ter conseqüências muito mais sérias do que se imagina. Vejamos os fatos divulgados até o momento:

1) As médias obtidas pelos alunos beneficiados pelas quotas são, por vezes, até 11,4 vezes inferiores às dos alunos não beneficiados. No caso mais crítico, o curso de Odontologia, o último classificado pelo vestibular tradicional fez 77,5 pontos sobre um total de 100, enquanto o último colocado que ingressou pelo sistema de quotas fez apenas 6,2 pontos sobre o mesmo total;

2) Alunos nestas condições necessitarão de suporte que, para começo de conversa, permita que prossigam na vida acadêmica, através de aulas reforço e outras iniciativas para isto;

3) A reitoria da UERJ estima um custo de R$ 12,7 milhões para estas ações remediais em, só em 2003 e o tesouro estadual está com um déficit de mais de R$ 1 bilhão. Quem vai pagar esta conta? A “Garotinha” acha que o Governo Federal tem que arcar com parte da despesa. Tomemos por absurdo que isso fosse verdade: de onde é que eles vão tirar os R$ 6,35 milhões faltantes?

O que se observa é que esta política é equivocada e demagógica porque não resolve o problema em sua origem (a educação básica) sendo ao mesmo tempo segregacionista e não-inclusiva, na medida em que cria castas de estudantes: a que precisa e a que não precisa de cursos remediais. Pior ainda: dados os resultados do vestibular, os estudantes serão identificados como deste ou daquele grupo pela cor da pele. Sinto pelos alunos "afrodescententes" que já se encontram dentro do curso e que entraram pelas vias "normais".

Este mesmo tipo de perspectiva equivocada foi adotada por alguns cursos de exatas ao observar que os alunos não tinham base para os cursos de cálculo, criando a disciplina de “Cálculo Zero” – que antecedia a “Cálculo Um”. Parece vício do Brasileiro, agir sempre sobre as conseqüências (reativamente) ao invés das causas (proativamente). Ao invés de se exigir uma educação básica de qualidade, providencia-se o paliativo. É algo como o médico que receita analgésico para reduzir a dor de cabeça mas não se preocupa em identificar o que causa o sintoma (e o paciente morre de meningite).

Preocupo-me seriamente, tendo encontrado em minha vida profissional diversos "afrodescententes" de grande inteligência e capacidade que completaram seus cursos de Graduação e Pós-graduação com mérito. Pessoas que conseguiram galgar posições, atingiram desempenhos comendados e onde a cor da pele não importava tanto assim. Venceram "apesar" de terem estudado em escolas públicas e ingressaram em uma instituição federal de ensino superior. Ildomar, Valnei, Telmely, Abelardo, entre tantos outros, não podem ser agora considerados como profissionais "favorecidos" por uma política demagógica. Não é justo que, depois de todo este esforço, eles passem agora a ser discriminados também por isso. E mais, se eles conseguiram, outros podem também.

Cabe aqui um parágrafo publicado no editorial do Jornal “A Tarde” de Salvador (12 de fevereiro de 2003). Lembro aos distintos leitores que Salvador é uma cidade de maioria negra. Vejamos pois o que escrevem:

“Pondo de lado a obviedade de que só educação básica e crescimento econômico acabam com a exclusão social, o Brasil assistiu a um gigantesco golpe de suborno eleitoral que, por todos os efeitos nefastos que já produziu e ainda vai produzir, deveria levar seus autores à prisão.”

The Lurker says: No Brasil o racismo não é questão de pele: a segregação é econômica. A cor está presente por conseqüência histórica - poderia não estar.

fevereiro 06, 2003

The Lurker e a Entropia (ou Stephen Hawking meu herói)

Ontem foi dia para encontrar, mesmo que brevemente, um grupo de amigos(as) que trafega a mesma estrada a cerca de cinco anos. É preciso que se esclareça: trata-se de um conjunto de pessoas que “compartilhou” uma equipe muito afinada, tanto afetiva quanto profissionalmente. Por motivos os mais vários, dessas coisas que a vida faz, ocorreu um afastamento (profissional) mas todos se esforçam para manter o vínculo (pessoal).

Bem, então ontem foi o dia para encontrar essas pessoas espalhadas pela esplanada. E tempo para ver o estado de desorganização e balbúrdia que está se tornando o processo de sucessão no executivo, a partir da nova (se alguma) perspectiva do governo. A confusão está tão grande que chego quase (disse quase) a sentir-me deixado de lado por não participar da azáfama coletiva.

Não, minha veia crítica não me subiu a cabeça, mas tenho baixa tolerância a desorganização (em especial no serviço público, onde o dinheiro é meu também). Veja se parece razoável que uma pessoa seja indicada para um determinado DAS, ver a publicação do ato no Diário Oficial e, nem bem seca a tinta no jornal, saber-se destituído(a) no dia seguinte? Ou um Diretor de departamento que, indicado mas não empossado, realiza reuniões com a sua (wannabe) equipe de trabalho para saber-se “desindicado” ao final de uma semana (ou no início da semana subseqüente). Ou uma terceira figura que, instada(o) a colocar seu cargo a disposição – coisa que é de sua obrigação – diz que não o fará e que, de agora em diante, trabalhará como técnico(a), manstendo suas regalias?

Pombas. Pessoas não são brinquedos: gente é gente e capivara é um bicho, como diz o Vital. Apesar da opinião do Vital contar pouco (afinal, amanuense e botafoguense são duas designações ingratas) ele tem lá sua razão. Essas gentes assumem compromissos, se preparam para mudanças sérias em suas vidas - mudam de emprego, de casa, de cidade, assumem dívidas, dizem coisas e fazem coisas que não fariam se fossem permanecer onde estão. Para depois vir a Imprensa Oficial e, oficialmente, dizer “olha, era brincadeirinha viu?” ou “tinha um sujeito com uma pistola aqui e... lembra do DAS que lhe prometeram?”.

Esta é a primeira transição de governo que posso acompanhar e, confesso, espero que as anteriores tenham se constituído em atividades mais civilizadas do que a que observo agora (a do Collor não conta e a do Roriz para o Cristóvão muito menos). Não que acredite nesta bobagem de centro-direita facistóide de que o PT está enfiando os pés pelas mãos porque não tem experiência de governo. Ora, eles também não tinham. O que eles tinham (e tem) é vontade de se locupletar. E com isso, pelo menos em parte, o PT não concorda.

The Lurker Says: “As necessidades da maioria superam aquelas dos indivíduos.” Mas, droga Spock, não esculhamba.

fevereiro 03, 2003

The Lurker e o presidente "Arbusto" (e, infelizmente, não é uma Sarça)

"Washington, DC
(Reuters)

A tragic and sad fire has destroyed the personal library of President George W. Bush. Both of his books have been lost. The president is reportedly devastated -- apparently, he had not finished coloring the second one."

janeiro 30, 2003

The Lurker vai a Manaus (ou no rio Negro não tem bacalhau)

Há algum tempo decidi que seria interessante conhecer todos os estados do Brasil. Chame de capricho, se quiser, mas acho que foi em 1997 que vi que, realmente faltava pouco para conseguir isso. Bem, dei mais um passo para conseguir este intento, viajando para o Amazonas. Faltam, então, mais quatro estados para cumprir a “travessia brasiliana”: Acre, Amapá, Pará e Roraima (certo, nenhum estava em sua lista de escolhas para as próximas férias). Ou seja, estou aceitando atividades profissionais que me levem a visitar especificamente estes estados.

Anyway, Manaus tem seus méritos. O hotel em que fiquei se situa do lado do Theatro Amazonas (aquele com a bandeira no teto) e meu quarto dava uma vista muito interessante para ele. Se ficasse em Paris, certamente corresponderia à Place de L´Opera. Incrível imaginar o dinheiro que deve ter circulado nessa região na época do ciclo da borracha. As fotos antigas mostram que as ruas em volta sequer tinham claçamento, mas este teatro enorme está lá, do lado do Palácio da Justiça (outra construção interessante e recém restaurada).

Depois de cumpridas as atividades laborais de praxe, fui convidado pela equipe local para ir a um restaurante no encontro das águas do Rio Negro com o Solimões (a partir daí o rio passa a chamar-se Amazonas - The LurKeR também é cultura). Fui apresentado a um Tambaqui grelhado (excelente) e uma Calderada de Tucunaré (nem tão interessante, mas é feio recusar, não é?). Detalhe, eu realmente não gosto de peixe. Se elogio, deve-se ao fato de que realmente estava muito bom.

Depois de uma volta próximo à borda da floresta, que pulsa como se fosse um organismo vivo e único, chegou a hora de me largarem... aonde, em um domingo em Manaus? Bem, meio contra minha religião, fui bater no Shopping Amazonas. Resolvi então provocar o choque: o que poderia ser mais antagônico do que uma floresta tropical?
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O "muderno" cinema americano.... "A serviço de sua majestade britânica"... Puá!

Chame de choque... eu chamo o filme de lixo.

A parte chata da coisa foi o vôo em que me colocaram, às 02:00 da manhã (hora local) 12:00 em Bsb. Desnecessário dizer que a segunda-feira foi um dia de tortura, mesmo voando na executiva.

Peculiaridades:

Em Manaus, casa de tolerância tem um dístico na placa: Ambiente Familiar. Alguém quer me dizer, mais ou menos o que vem a ser isso?

Manaus não tem sambódromo: tem Boiódromo. That´s right. As cores por lá não são verde e rosa, mas vermelho e azul. E as aulas nos colégios são dimensionadas para permitir um intervalo de duas semanas na época do boi. Eu, pessoalmente, sou do Caprichoso.

The Lurker says: Viva la jungla!

janeiro 15, 2003

The Lurker e o Fim da Agonia (ou good things come to those who wait)

Saiu, finalmente, o resultado da seleção do doutorado… Muita gente me criticou por eu não haver considerado as diversas opiniões de que eu haveria passado, mas há um motivo para isso: quando fiz a primeira seleção para o mestrado, em parte devido à minha inexperiência, fui mandado de volta para casa na entrevista (parte final do processo, onde todo mundo dizia que ia ser fácil – não foi).

Em conclusão, a bola balançou a rede e o homem de preto apitou, apontando o centro do campo... agora é me esfalfar e enlouquecer familiares e amigos pelos próximos quatro anos, perder noites de sono, fins de semana e um saco de outras coisas para ver a luz no fim do canudo. :-)

Meu orientador convidou-me ontem, juntamente com Paula, Paulo e mais duas amigas, para um jantar comemorativo... só que não me avisou que seria "his treat" até a hora que eu me mexi para pagar minha parte. Confesso que gostei da surpresa... pena que o próximo vai ser só daqui a quatro anos. Mas aí quero no Tour d´Argent... ;-)

The Lurker Says: sic transit gloria mundi (ou qualquer coisa parecida)